Sobre as séries
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Vanishing (2010) "A série de André França retoma um tipo específico de natureza morta, a vanitas, uma variedade de natureza morta alegórica na qual os objetos representados aludem à efemeridade da vida humana e das coisas materiais. A denominação remete ao célebre versículo latino de Eclesiastes, “vanitas vanitatum, et omnia vanitas” que, em tradução livre, significa “vaidade das vaidades, é tudo vaidade”. Em geral, a vanitas apresenta relógios, livros, jóias, moedas e outros objetos evocativos dos valores transitórios dos homens. Tradicionalmente, a introdução de uma caveira remete, de modo explícito, para a idéia da morte ou memento mori (“lembra-te que morrerás”), reforçando a finitude da nossa existência ante toda e qualquer preocupação." - Alejandra Hernández Muñoz Leia o texto completo da curadora sobre esta série. "Quintal" (2009) Em nossa cultura, onde sótãos e porões são praticamente inexistentes em nossas casas, o quintal assume em grande parte os usos reservados àqueles espaços. Um destes importantes usos é servir de depósito de objetos que não nos interessam mais, que não mais desejamos. Descartados no quintal, eles passam a gozar de uma existência em suspensão, como numa espécie de limbo. Não são mais usados, mas também não estão destruídos e nem descartados definitivamente. Ficam ali, a acumular estratos de tempo. Algum dia podem ser redescobertos, recuperados do esquecimento, ter a sua utilidade reinventada, ou, então, ser descartados para sempre. As fotografias desta série foram feitas em 2009 no quintal da casa onde cresci e vivi até os meus 14 anos. Além de lugar de observação do modo de existência dos objetos, este também sempre foi para mim, durante a infância, um lugar de mistérios, de descobertas, de assombros, de contato com a natureza. Foi aqui também que fiz algumas de minhas primeiras fotos. Agora, após 25 anos, volto a fotografar no quintal. Provavelmente, este é o espaço mais íntimo, mais pessoal que posso fotografar. |
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art world (2009) A série investiga determinadas configurações físicas de espaços urbanos dedicados à exibição de obras de arte, assim como o seu entorno, com o objetivo de apresentar uma visão das característcas e atmosferas destes lugares, assim como dos traços de ordem simbólica que fazem referência ao mundo da arte. Mais especificamente, este trabalho realiza um estudo sobre as galerias de arte da cidade de New York. A ênfase, aqui, se concentra na arquitetura externa daquelas galerias, ou seja, na configuração de suas fachadas. A perspectiva investigada é aquela da relação entre as configurações arquitetônicas e a maneira como uma determinada cultura, uma determinada cidade/sociedade relaciona-se com a própria arte, com o público e com o mercado de arte, numa perspectiva simbólica passível de leitura nas fachadas das galerias. Além da arquitetura (e dos efeitos poéticos que ela suscita), a série também investiga a dimensão de artisticidade de objetos e imagens encontrados nas ruas em que as galerias se localizam, assim como alguns elementos que parecem irromper na estrutura do controlado discurso do mundo da arte. Todas as fotografias foram feitas na região das galerias de arte de Chelsea, New York City. |
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Chorus of an old song (2009) Empregando a abordagem dos found objects (objetos encontrados), foram fotografados em uma praia objetos naturais e feitos pelo homem. Em ambos os casos, o interesse se concentra no destino que o próprio Tempo reservou a estes objetos, sujeitando-os a condições de desgaste físico, arranjo e rearranjo espacial, até este momento em que os encontramos e eles podem nos surpreender pelas suas formas, pelo delicado equilíbrio estético em que se encontram, pela fragilidade que nos remete ao “tempo das coisas” e à própria condição humana. |
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Sight for sore eyes (2009) Um lembrete sobre o poder da experiência do olhar atento para as coisas muito delicadas e de existência breve. |
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Call me, love (2008-2010) Trabalho em progresso, esta série investiga marcas da sexualidade presentes em paisagens urbanas. Apresenta, até aqui, fotografias feitas em São Paulo, Nova York e Salvador. |
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Nightswimming (2008) A composição dos trípticos neste trabalho procura potencializar aquela que é uma das principais características do mar: o movimento, a mudança, a contínua transformação. A abordagem formalista aplicada a fotografias feitas em uma praia deserta em noites de lua nova, na ausência completa de luz (exceto pelo flash da câmera), trabalha diversos elementos: As relações de continuidade e descontinuidade entre as formas nas imagens (que ora constituem distanciamentos ou aproximações em relação às representações realistas do assunto); a dinâmica do movimento do mar, valorizada pelo congelamento da imagem pelo uso do flash; o contraste entre a presença de volumes e o vazio; o contraste entre as relações tonais na escala de cinza, variando do branco luminoso da espuma das ondas até o preto profundo das noites de lua nova; as configurações de abstrações; a subversão da referência da linha do horizonte, importante paradigma nas fotografias do mar; a construção da dimensão de seqüência temporal ou serialidade, através da montagem dos trípticos, constituindo assim pequenas narrativas; as configurações de textura (a partir da superfície mais calma da água, do elemento espuma ou do movimento e quebra das ondas). |
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Dr. Freud's Vacation (2008) Tanto Duchamp quanto Freud realizaram o mesmo gesto fundamental. Este gesto radical foi o de “apontar para um outro lugar”. Freud apontou para aquilo que ele chamou de “a outra cena”, isto é, o campo do inconsciente; e Duchamp apontou para o também insuspeitado campo da latente artisticidade dos objetos ordinários, fabricados em série, que abundam em nosso cotidiano. Sempre que “apontamos para um outro lugar”, realizamos uma operação de deslocamento, e é isso o que faz surgir um urso polar no Saara, por exemplo, dentro de uma lógica onírica. Mas, nesta série, este deslocamento está também a serviço, no terceiro tempo do tríptico, do “encontro” e do estranhamento: o encontro com uma escada que, numa praia, brota do nada e se dirige para o céu; o encontro com um urso polar no Saara ou com animais selvagens que parecem pacientemente esperar por uma preleção. A idéia de “Freud pregando no deserto” está presente, sim, não há como fugir dela; afinal, encerrado o século de Freud, os homens continuam se movendo a partir da lógica do acúmulo de montinhos de dinheiro e deixando solta a pulsão de destruição nas guerras que nunca terminam e que nunca entendemos. - Leia a entrevista completa publicada no catálogo da exposição ABRE ALAS 5, realizada pela galeria A Gentil Carioca (RJ). |
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Places to be alone (2006) Estas fotografias se oferecem, à maneira de um convite, de uma proposição, àqueles que apreciam os bons estados de espírito da solidão. Recolhimento, contemplação, reflexão, quietude são atmosferas cultivadas na série. |
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Houses and Time (2004) "Utilizando um termo celebrizado por Barthes, diria que o punctum dessas fotografias está em seu uso peculiar da figura humana. Tal afirmação pode causar estranheza: afinal, é óbvio que não há ninguém nessas fotos, que são todas registros de espaços vazios, casas velhas, lugares abandonados. Mas também é óbvio que ali, onde não está ninguém, já esteve alguém: alguém entrou por uma porta, exausto ao fim de uma jornada de trabalho; alguém se debruçou em uma janela, observando casualmente o movimento dos passantes; alguém se sentou em um sofá e, noite adentro, esperou ansioso. Há o que sorriu, o que temeu, a que desejou, a que sentiu calor, os que celebraram, os que mentiram e os que guardaram segredo: todos estão aqui, nessas fotografias, e exibem aquilo que restará de todos nós no futuro: alguns vestígios erráticos, palavras semilegíveis em um palimpsesto caótico e o esboço de narrativas incompletas." - Antonio Marcos Pereira |
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The Last Stop (2004/2009) Com estas fotografias, feitas no cemitério de minha cidade natal, mais do que abordar o tema da morte, interessa-me trabalhar com as categorias de “efeito visível da passagem do tempo”, "transformação" e “desaparecimento” - aplicados aqui à escala da vida humana e a um projeto de preservação de memória. O chão de areia de praia deste cemitério potencializa este sentido de mobilidade e desagregação. O políptico “Perpétuo” (#21), foi criado em 2009 a partir de quatro das fotografias originais, feitas em 2004. |
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Copyright © 2010 André França